domingo, 3 de abril de 2011
... But I did
Havia uma pedra,
Talvez duas imóveis pedras.
Petrificavam minha vida,
Petrificavam meus sonhos.
A realidade tirava minha vontade...
A verdade já não era a mesma.
A minha certeza há muito já era deixada...
A decisão nunca era tomada,
Mas eu a queria tomar.
Então vieram seus olhos perdidos...
Seu abraço, sua paz...
Pedras se quebraram,
Razões cessaram.
Borboletas agitaram-se
E dentro de mim algo cantava,
Gritava com fôlego e pulava por mim.
Então descobri como é possível agitar-se estando estática.
Fios e antenas sincronizavam os batimentos de pedal duplo...
Meus olhos se tornaram simples portais.
E de longe minhas borboletas chamam as suas pra perto,
Então por não virem, mais me agito.
Pode sim parecer loucura,
Esses arrepios engraçados, esses ventos frios de outono passando por mim.
A maior loucura foi ter voltado o relógio, a noite ter acabado...
E no fim de tudo, as estrelas se mostrarem para nós.
As palavras, a paz, as vontades...
Você, eu, nossa ausência de culpa.
Nós, nosso livro, nosso filme...
Nosso egoísmo, detalhismo, nossa irritabilidade mútua.
Óh, céus... Traga de volta as estrelas.
Traga de volta a paz, mas por favor...
Mantenha as borboletas, os arrepios, as verdades...
Pois eu poderia ir á loucura sendo impenetrável novamente.
Deixe os lábios, os sonhos, as palavras...
Deixe as músicas, a certeza, deixe a ausência do incansável destino.
Deixe assim, o relógio parado todas as noites...
Isso, pare o mundo, o tempo... Deixe-nos aqui.
Deixe essa noite conosco,
Deixe-a na nossa mente.
Deixe essa melodia em nossas mãos...
E nossos corações a guiarão.
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